Aula 6: O fruto do Espírito

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Gálatas 5:16-25
16 Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne.
17 Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer.
18 Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei.
19 Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia,
20 idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções,
21 invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já,
outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam.
22 Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade,
23 mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.
24 E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências.
25 Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito.Chegamos na lição que é uma das mais importante deste curso, pois trata do caráter e da essência do cristão, da obra regenerativa que o Espírito santo opera na vida do crente. O fruto do Espírito é mais importante do que os dons espirituais. Pode-se profetizar e ter visões espirituais, mas se o fruto do Espírito não estiver amadurecido será apenas palha. Como uma fruta precisa crescer e amadurecer por igual, assim é o fruto do Espírito, precisa crescer e amadurecer num todo. Não pode apresentar um lado maduro e outro verde.Quando o homem aceita a Cristo, imediatamente a semente do evangelho começa a germinar e a planta tem que crescer e dar os seus frutos (Mt 3:8). O cristão é conhecido pelos seus frutos, que são os seus atos diante de Deus e dos homens. Estes frutos têm que estar bem visível a todos para que sirva de testemunho do poder de Deus. Porém, hoje, nós iremos estudar um fruto específico, o “fruto do Espírito”.

O homem quando aceita a Cristo e recebe o batismo no Espírito Santo, passa então a ter acesso aos “dons espirituais”. Um crente que não é batizado no Espírito Santo não possui dons espirituais. Diferente do fruto do Espírito, que começa a nascer no crente quando aceita a Cristo, antes mesmo do batismo em águas. Enfim, todo o crente tem em sua vida o fruto do Espírito. A diferença é que na vida de uns ele amadurece rápido e em outros não.

1. Características do fruto do Espírito

a) Caridade (Amor) – O amor vem de Deus e é implantado na vida do crente na sua conversão. Pois quando nascemos de novo, Cristo vem morar em nossos corações (Jo 14:23), e o apóstolo João afirma que “quem não ama não conhece a Deus” (1 Jo 4:28) Um dos grandes ensinamentos de Cristo é AMAI-VOS (Mt 5:44 / Lc 6:27 / Rm 12:10 / 1 Pe 1:22). Da mesma forma que o amor de Deus é incondicional para conosco (Rm 5.8) devemos amar incondicionalmente a todos, e se temos de imitar Cristo em tudo (1Co 11:1), esta parte não pode ser ignorada. Leia o que o apóstolo Paulo escreveu a igreja de Corinto, sobre o amor (1Co 13:1-7).

b) Gozo – É prazer e satisfação. Não devemos reclamar de tudo que Deus nos dar, mas devemos agradecer por tudo que temos, que somos e o que viermos a ser. A ingratidão, aliada a murmuração entristece a Deus e somos advertidos a não entristecer o Espírito de Deus que habita em nós (Ef 4.30 / I Co 10.10). Se tivermos o que comer e o que vestir, estejamos contentes, pois milhões de pessoas não têm o que comer, o que vestir e um teto para se abrigar (Mt 6.25-34). Pelo evangelho insípido que alguns pregam hoje, se você não tem uma vida de fartura, prosperidade e de posses, você está errado ou em pecado. Então, o que dizer do apóstolo Paulo, que não tinha onde morar e sobrevivia das tendas que fazia para vender e da ajuda dos irmãos? Será que Deus tinha rejeitado o seu servo, o maior missionário, depois de Cristo? Veja o que Paulo escreveu aos Filipenses (Fp 4.11-13) e aos Romanos (Rm 8.35).

c) Paz – O profeta Isaías declarou que Jesus Cristo é o Príncipe da Paz (Is 9:6). Quando aceitamos a Cristo, ele vem morar em nossos corações, nos trazendo vida em abundancia e conseqüentemente a paz que tanto precisamos. Não é uma paz que o mundo pode oferecer, porque segundo o mundo, paz é a ausência de guerra. Com Cristo, podemos enfrentar as maiores batalhas e podemos até mesmo estar cercado pelos nossos mais infames inimigos, que isso não irá tirar a nossa paz.

A paz que Cristo dar é um estado de espírito que inunda o nosso ser, nos mostrando que Deus está no controle de nossas vidas, que não cai uma folha de uma árvore sem a permissão do Deus Pai. A vitória é certa e pertence sempre ao povo de Deus. Se Cristo está conosco, não há o que temer! Leia o que o profeta Jeremias profetizou (Jr 17:8) e veja se temos mesmo motivos para viver correndo de um lado para o outro em desespero. Certa vez Jesus orou assim: “Não peço que os tires do mundo, mas que os livre do mal” (Jo 17:15 / Sl 23).

d) Longanimidade – É o mesmo que paciência e a paciência é a capacidade de sofrer ou suportar com calma e sem reclamar. A ansiedade tem destruído a vida de muitos e isso não vem de Deus (1Pe 5:7). Aprenda a esperar no Senhor e no tempo de Deus e tudo chegará ao seu devido lugar (Ec 8:6). Jó viu a sua vida ruir rapidamente, mas ele não negou a sua fé e aguardou pelo socorro divino.

Algumas pessoas sofrem de ansiedade extrema. O stress, a doença do tempo moderno, tem acabado com a saúde de muitos, que combinado com a ansiedade não têm tempo para esperar o desenrolar natural das coisas. Plantam de manhã e à tarde já querem colher e isso tem prejudicado muitos relacionamentos, pois querem obter resultados imediatos na vida do cônjuge e dos filhos.

Existem coisas que estão além do nosso alcance, coisas que não nos compete fazer, tais como mudar o caráter e o modo de pensar de alguém. Ore a Deus e peça ajuda do Espírito Santo. Olhe para o exemplo de Davi, no Salmo 40 e o que foi que o Senhor disse a Zorobabel através do profeta Zacarias? “Não por força e nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos exércitos” (Zc 4:6).

e) Benignidade – Segundo o dicionário Aurélio, benigno é: suave, brando, agradável, não perigoso nem maligno. É muito bom quando temos ao nosso lado pessoas nas quais podemos confiar, confidenciar segredos, solicitar aconselhamentos e recebermos sempre uma palavra sincera e edificante. Pessoas que fazem críticas construtivas, porque sempre querem o melhor para nós. Todos nós podemos ser assim, pois em nossa vida temos o fruto do Espírito Santo e temos de buscar o amadurecimento espiritual.

Seja uma bênção no teu círculo de amizade, na tua casa, no teu trabalho, para que venhas a ganhar o ímpio com o seu testemunho (1Tm 4:12). Deus não nos chamou para a ira e nem para a contenda, mas para espalharmos o amor de Deus por toda a terra.

f) Bondade – É viver praticando boas ações, é fazer o bem sem olhar a quem, é olhar sem preconceito de cor, credo ou posição social, é fazer tudo ao seu alcance para evitar ou amenizar o sofrimento dos outros. Isso é pregar o evangelho através de obras e ação social. É lutar contra a tirania, ajudar os fracos e oprimidos e defender as coisas que Deus criou. A fé sem obras é morta (Tg 2:26).

A Bíblia nos apresenta vários exemplos de bondade:
. O bom samaritano, que se compadeceu de um estranho (Lc 10:30-35);
. Davi restituiu a riqueza de Mefibosete, um aleijado (2Sm 9:3-13);
. José não retribuiu mal por mal aos seus irmãos (Gn 45);
. A recompensa do justo quando chegar no céu (Mt 25:34-36).

g) Fé – É a capacidade de confiança em Deus e na sua Palavra (não confunda com o dom da fé, que é um dom do Espírito). Esta característica do fruto mostra que todos os verdadeiros crentes em Cristo Jesus, possuem a fé dada por Deus. Uma pessoa que não tem fé, não pode crer que Deus irá trabalhar em sua vida e por conseqüência não receberá o favor divino (Tg 1:5-7). A fé nos leva a obedecer a Palavra de Deus (Lc 5:4-7). Para se obter a fé, precisa ler, ouvir e meditar nas Sagradas Escrituras (Rm 10:17). Resumo, sem fé na Palavra de Deus não há bençãos (Mt 21:22 / Mc 11:24 / Jo 14:13-14 / Jo 15:16 / Jo 16:23).

h) Mansidão – É a qualidade de ser manso. Jesus certa vez disse: “aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (Mt 11:29). O Evangelho não combina com violência, Jesus poderia ter pedido ao Pai que lhe enviasse doze legiões de anjos para que o defendesse (Mt 26:53), mas preferiu usar a linguagem do amor e não da violência.

Está escrito que “os mansos herdarão a terra” (Sl 37:11 / Mt 5:5) Deus protege os mansos e peleja em seu favor (Sf 2:3 / Sl 76:9 / Is 29:19). Jesus repreendeu a Pedro quando este usou a espada para atacar a Malco, servo do sumo sacerdote e lhe alertou que “quem com ferro fere com ferro será ferido” (Mt 26:51-52 / Jo 18:10-11).

i) Temperança – Todos nós já ouvimos a frase: “se não é oito é oitenta”. Esta frase representa bem os dois extremos, pois bem, a vida do cristão deve ser sempre pautada pelo equilíbrio. Paulo admoesta a Timóteo para que seja “sóbrio”, moderado em tudo (2Tm 4:5). O crente não pode ser pavio curto e nem devagar quase parando, mas ter uma vida pautada na oração, na leitura Bíblia, na diplomacia e no bom senso (Rm 12:8).

2. As obras da carne

Quem pratica as obras da carne, precisa ter um encontro com Jesus e ser liberto do pecado. Nós que já nascemos de novo, não vivemos mais debaixo do domínio do pecado (Rm 6:14), fomos separados por Deus e para Deus, lavados no sangue do Cordeiro. Não podemos viver debaixo de condenação (Rm 8:1), porque o salário do pecado é a morte (Rm 6:23).

O Senhor levará para os céus, uma nova sem manchas, rugas ou defeitos (Ef 5:27). Veja algumas características das obras da carne, que é tudo aquilo que ao servo de Deus não convém praticar:

a) Prostituição: Ato ou efeito de prostituir (-se).
b) Impureza: Qualidade ou estado de impuro.
c) Lascívia: Luxúria, libidinagem, sensualidade e etc.
d) Idolatria: Amor ou paixão exagerada, excessiva e ter outros deuses.
e) Feitiçarias: Ação ou prática de feiticeiro (bruxaria).
f) Inimizades: Falta de amizade; aversão, malquerença.
g) Porfias: Competição, rivalidade, disputa, obstinação, polêmica…
i) Emulações: Sentimento que incita a igualar ou superar outrem.
j) Iras: Cólera, raiva, indignação, desejo de vingança…
l) Pelejas; Ato de pelejar, briga, contenda, desavença.
m) Dissensões: Divergência de opiniões, discrepância, contraste, oposição.
n) Heresias: Doutrina contrária ao que foi definido pela Igreja.
o) Desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem.
p) Homicídios: Morte de uma pessoa praticada por outrem; assassínio.
q) Bebedices: o vício da embriagues.
r) Glutonarias: Qualidade de glutão; voracidade, edacidade, glutonia.


Pr.Bezaleel Campêlo
Bacharel e Pós em Teologia Bíblica